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terça-feira, 12 de junho de 2012


Manifestação pública pelo direito da mulher de escolher o local em que quer parir e ser assistida, em suas escolhas, por profissionais capacitados.

Escolher o local de parto é direito da mulher!

Apoie esta causa!

Parir em casa é seguro!

Participe da Marcha no dia 16 de Junho, próximo sábado, às 12h na Boca Maldita - Curitiba.

Convide seus amigos e venha conosco lutar pela transformação da sociedade!

Até lá!

Para mais informações, entre em contato ou acesse http://www.facebook.com/events/308313495925468/?ref=ts

quinta-feira, 15 de março de 2012

Plano de Parto

Fonte: Google Images

Abaixo, compartilho o plano de parto hospitalar elaborado por mim e pelo Raul quando estávamos grávidos. Para nós, esse foi um momento de claras reflexões e decisões, cercado de muita conversa e trocas, que culminaram com nossas escolhas conscientes e informadas sobre o possível parto hospitalar. 
A redação do plano de parto é importante para que o casal reflita sobre os itens relacionados com o parto e nascimento e entre em contato com os termos, procedimentos, rotinas das maternidades e do atendimento ao parto e recém-nascido. Isso faz com que conheçam e entendam cada uma das possíveis intervenções e suas reais necessidades e se apropriem do próprio processo, com conhecimento, compreensão e reflexão. Além disso, no plano de parto, a mulher coloca todas as suas preferências, desejos e escolhas para seu parto e nascimento de seu filho.  É importante também para que o profissional que os está acompanhando saiba que o casal está informado e consciente sobre suas escolhas e conhece a realidade de atendimento obstétrico. Assim, pode iniciar um diálogo mais preciso com este profissional, tendo como base os desejos da família com respaldo nas evidências científicas. O casal tem direito de fazer as próprias escolhas, com informação e consciência, e assim optar pela melhor forma de acompanhamento de parto e nascimento para que a experiência seja a mais bonita, amorosa e saudável. O melhor momento para redigir o plano de parto é quando o casal já está ciente sobre a realidade de atendimento obstétrico, conhece alguns dos termos e procedimentos e se sente preparado para discutir e questionar cada etapa do processo.
O plano de parto a seguir é um exemplo, cada casal tem as próprias preferências e escolhas. Cabe ao casal pontuar o que é mais importante para sua experiência.

PLANO DE PARTO

Nossa preparação durante toda a gestação foi focada no parto natural com atendimento domiciliar. No entanto, estamos cientes de que o parto pode tomar diferentes rumos, como o encaminhamento para a maternidade e a necessidade de uma cesária. Abaixo listamos nossas preferências em relação ao parto e nascimento da nossa filha, caso seja necessário o encaminhamento a maternidade. Se algum plano não puder ser seguido, gostaríamos de ser previamente avisados e consultados a respeito das alternativas.

Trabalho de parto:
- Presença do meu marido e doula.
- Sem tricotomia e enema.
- Sem perfusão contínua de soro e/ou ocitocina.
- Liberdade para beber água e sucos enquanto seja tolerado.
- Liberdade para caminhar e escolher a posição que quero ficar.
- Liberdade para o uso ilimitado da banheira e/ou chuveiro.
- Monitoramento fetal: apenas se for essencial, e não contínuo.
- Analgesia: peço que não seja oferecido anestésicos ou analgésicos. Eu pedirei quando achar necessário.
- Sem rompimento artificial de bolsa.
- Utilização de músicas, luzes

Parto:
- Prefiro as posições verticais, como cócoras ou quatro apoios.
- Farei força naturalmente caso sinta vontade, não quero ser guiada.
- Não vou tolerar que minha barriga seja empurrada para baixo.
- Gostaria que apenas os profissionais essenciais estivessem presentes, juntamente com o pai e com a doula.
- Caso necessite de anestesia, pedirei e avisarei minha doula e marido. Não quero que fiquem me oferecendo anestésicos. Prefiro os métodos não farmacológicos para alívio da dor.
- Episiotomia: apenas último em caso e se for estritamente necessário. Quero ser imediatamente informada sobre o procedimento. Não gostaria que fosse uma intervenção de rotina.
- Gostaria que as luzes fossem apagadas (penumbra) e o ar condicionado desligado na hora do nascimento. - - Gostaria que meu bebê nascesse em ambiente calmo e silencioso.
- Gostaria de ter meu bebê colocado imediatamente no meu colo após o parto com liberdade para amamentar.
- Gostaria que o pai cortasse o cordão após o mesmo ter parado de pulsar.

Após o parto:
- Aguardar a expulsão espontânea da placenta, sem manobras, tração ou massagens. Gostaria de poder amamentar livremente auxiliando a expulsão.
- Ter o bebê comigo o tempo todo enquanto eu estiver na sala de parto, mesmo para exames e avaliação.
- Liberação para o quarto o quanto antes com o bebê junto comigo. Quero estar ao seu lado nas primeiras horas de vida.
- Alta hospitalar o quanto antes.
- Gostaria que o pai estivesse presente, na medida do possível, em todos os momentos quando o bebê for retirado da minha presença.

Cuidados com o bebê:
- Não permitimos a administração de nitrato de prata ou antibióticos oftálmicos sem real necessidade e sem nosso consentimento.
- Administração de vitamina K oral (nos comprometemos em dar continuidade nas doses).
- Quero fazer a amamentação sob livre demanda.
- Em hipótese alguma, oferecer água glicosada, bicos ou qualquer outra coisa ao bebê.
- Alojamento conjunto o tempo todo. Pedirei para levar o bebê caso sinta necessidade.
- Gostaria de dar o banho no meu bebê e fazer as trocas (ou eu ou meu marido).

Caso a cesárea seja necessária:
- Exijo o início do trabalho de parto antes de  resolver pela cesárea.
- Quero a presença da doula e de marido na sala de parto.
- Anestesia: peridural, sem sedação em momento algum.
- Na hora do nascimento gostaria que o campo fosse abaixado para que eu possa vê-la nascer.
- Gostaria que as luzes e ruídos fossem reduzidas e o ar condicionado desligado.
- Após o nascimento, gostaria que colocassem o bebê sobre meu peito e que minhas mãos estejam livres para segura-la.
- Gostaria de permanecer com o bebê no contato pele a pele enquanto estiver na sala de cirurgia sendo costurada.
- Também gostaria de amamentar o bebê e ter alojamento conjunto o quanto antes.

Agradeço muito a equipe envolvida e a ajuda para tornar esse momento especial e tão importante para nós em um momento também feliz e tranqüilo como deve ser.

Muito obrigada,
Local e data,
Assinatura dos pais
Assinatura do médico obstetra
Assinatura do pediatra

É sabido que nossa família foi desrespeitada em todas as nossas vontades e em nossa condição de ser humano em parto. Mas ter redigido o plano de parto ainda assim foi crucial para nosso amadurecimento e conhecimento enquanto pais conscientes.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Compartilhando: Parto domiciliar: o que você deveria saber antes de julga

Por Clarissa

O parto domiciliar está na mídia e na boca do povo. Infelizmente, tem muita gente escrevendo sobre o assunto sem o menor embasamento, sem ler um único estudo e sem a menor vontade de compreender o que leva uma mulher a fazer essa opção. Além das menções sensacionalistas e as descaradamente reacionárias, tem gente dizendo asneiras como “o parto em casa está na moda (por causa da Gisele Bündchen)”. Discordo: moda é quando algo está sendo adotado por uma maioria (neste sentido, moda é cesárea agendada). A realidade é muito menos interessante: o parto domiciliar é simplesmente uma opção – milenar, diga-se de passagem – abraçada por um grupo seleto de indivíduos, bem informados e conscientes, que compartilham de uma mesma filosofia.
A intenção deste post é explicar essa filosofia e defender a escolha consciente pelo parto em casa, entendido aqui como um parto conduzido em domicílio, natural (sem uso de drogas para acelerar o trabalho de parto ou anestésicos), na companhia de profissionais treinados (médico, enfermeira obstétrica, obstetriz ou parteira) em que mãe e bebê são considerados de baixo risco (estabelecido no pré-natal).



1. O parto é um evento fisiológico. Sei que isso é óbvio  - até mesmo os manuais de obstetrícia diriam o mesmo -, mas, na prática, a obstetrícia tradicional não respeita muito a fisiologia o parto e, geralmente, um parto hospitalar transforma-se num evento médico, uma oportunidade para submeter a paciente (sim, entrou no hospital e você vira uma doente, mesmo estando comprovadamente saudável o suficiente para gerar uma vida) a uma série de intervenções. Entre elas estão (basicamente em ordem) a tricotomia, a ocitocina sintética, a anestesia, a posição de litotomia, a episiotomia e a manobra de kristeller. Prometo escrever um futuro post sobre parto hospitalar tradicional para quem quer saber o que são essas coisas. No momento, o importante é dizer que o parto domiciliar, por acontecer no território da mulher e por ser acompanhado por profissionais que acreditam na fisiologia do parto, é livre de intervenções desnecessárias. A crença no parto como evento fisiológico se sustenta com base em estudos recentes sobre fisiologia do parto e também no senso comum: afinal, somos animais e não teríamos atingido uma população de 7 bilhões se o parto fosse um evento que necessitasse grandes intervenções médicas.

2. O parto domiciliar assistido e planejado é seguro. Embora a grande mídia ou o seu obstetra afirme o contrário, vários estudos comprovam a segurança do parto em casa. O mais notável é o estudo holandês – que traz dados de quase meio milhão de partos – e dois estudos recentes de2005 e 2009 corroboram a conclusão de que o parto domiciliar é tão seguro quanto o parto hospitalar, para mães e bebês, e com menos intervenções (desagradáveis) para ambos. O único estudo relevante que traz dados pouco favoráveis ao parto domiciliar foi duramente criticado por publicações de peso como Nature e o The Lancet por causa da metodologia muito suspeita usada para medir a mortalidade perinatal (entre outros “detalhes” metodológicos, eles incluíram casos de partos extra-hospitalares não planejados, como nascimentos a caminho do hospital ou em casa desassistido). Mesmo assim, até esse estudo controverso confirma que, para a mulher, o parto domiciliar tem índices mais favoráveis (mortalidade, morbidade e intervenções) que o parto hospitalar. Vale a pena acrescentar que no parto domiciliar planejado sempre há um plano B e que, em caso da necessidade de transferir para um hospital, a equipe de assistência está preparada para essa eventualidade.


3. A visão tradicional e hegemônica sobre o parto não é necessariamente baseada em evidências científicas. Isso merece um outro post, mas o resumo é: várias práticas médicas vigentes são baseados não em dados científicos comprovando sua validade, mas em “achismo” ou “tradição” ou “ritual”. Isso ajuda a explicar por que os especialistas entrevistados pelos jornais e revistas (todos obstetras) são contra o parto domiciliar. A maioria não leu estudos sobre o assunto (só citam o estudo desfavorável, mencionado acima e ignoram dezenas de pesquisas mostrando o contrário). E pior: a esmagadora maioria dos médicos nem sabe o que é um parto 100% natural, protagonizado pela mulher e pelo bebê com toda a sabedoria milenar do corpo, dos hormônios e do instinto animal de parir. Os médicos treinados em obstetrícia aprendem na faculdade dois tipos de parto: cesárea e parto vaginal com intervenções de rotina. Basta ler um pouco sobre a história da obstetrícia para ver que o conhecimento médico é como grande parte do conhecimento humano: imperfeito, incompleto e totalmente ideológico. Infelizmente, essa ideologia hegemônica é compartilhada pela mídia e pelo povo como um todo. A sorte é que temos neurônios e estudos científicos como os citados anteriormente para pensarmos sobre essa ideologia com olhos críticos.

4. Parir na intimidade do lar permite uma experiência única e muito recompensadora. Veja qualquer vídeo ou leia qualquer relato de um parto realizado em casa e você vai começar a entender por que muitas mulheres alimentam o sonho de parir de forma natural, na presença de pessoas benquistas, num ambiente acolhedor e seguro e familiar,  onde vão se sentir livres para entrar nas posições e fazer os barulhos que bem entendem. Mais uma vez, isso está relacionado ao primeiro ponto (o parto como um evento fisiológico e, vou mais longe, um evento sexual). É impossível não se emocionar com a beleza e a magia de um parto totalmente natural. Por favor, entre AGORA no Google ou no YouTube e faça essa busca por relatos ou vídeos de partos em casa. Recomendo também o filme “Orgasmic Birth”.

Espero que eu tenha conseguido mostrar que o parto domiciliar é um entre as milhares de possíveis escolhas que estão abertas às gestantes de baixo risco. Outras escolhas incluem: parto normal hospitalar, cesárea intraparto, cesariana previamente agendada, parto natural hospitalar, parto normal induzido, parto domiciliar desassistido, parto natural em casa de parto… É uma lista bem extensa. Cada uma com suas vantagens e suas desvantagens. Num mundo ideal, qualquer escolha seria considerada válida contanto que fosse feita com base em informações de confiança, sem outros interesses que não a saúde da mãe e do filho e desejo da mulher. Esse mundo ideal, onde a inteligência e o protagonismo da mulher são respeitados, ainda não existe. Mas eu pretendo lutar por ele. E você?