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Fonte: Google Images
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Eu me preparei para parir.
Meu corpo sabia parir.
Em qualquer posição minha ou dela.
Eu queria sentir a temida sensação que traria minha filha aos meus braços.
Queria superar meus medos.
Queria sentir cada movimento da sua chegada.
Queria sentir meu corpo se abrindo.
Queria sentir ela descendo e encaixando.
Queria viver aquela experiência de frente.
Queria ser protagonista.
Queria simplesmente parir seguindo meus instintos,
No acalento do meu lar.
E de repente entramos em trabalho de parto.
Foi antes que eu imaginava.
Me pegou de surpresa.
Eu não acreditava.
Mas me sentia extasiada.
Tudo aquilo para o que me preparei estava começando.
Em casa, senti as ondas tomando o meu corpo.
Apenas me entregava.
Suavizava minha respiração.
Entrava na dor e seguia com ela.
E aquela sensação intensa a qual chamam de dor transformou-se em prazer.
Descanso.
Alegria.
Mais uma onda.
Uma nova entrega.
Eu ainda não acreditava.
Me sentia tão inteira, tão pura.
Iria parir.
Mas num telefonema, a notícia.
Vamos para a maternidade.
Lá, dor. Apenas dor.
Dor da alma.
Uma dor de fato.
Algo que eu não conseguia compreender.
Já não me entregava mais.
Apenas tentava suportar.
De olho num relógio, não via o tempo passar.
Dor.
Foi tudo embora.
Me tiraram tudo.
Eu e minha filha éramos o de menos ali.
O “santo” doutor estava vindo.
Dor.
Meu companheiro longe.
Dor.
O pai de fora.
O desrespeito.
Dor.
Uma cesária.
Dor.
A violência.
Dor.
As lágrimas.
Dor.
Uma cicatriz.
Dor.
Meu coração em prantos.
Dor.
Minha alma ferida.
Dor.
Isso é a verdadeira dor do parto.
A dor do não vivido.
A dor do que me foi roubado.
A dor do espírito. A dor da alma.