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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Compartilhando: A pele como medicina

A pele é o maior órgão do ser humano e, provavelmente, um dos mais complexos. Cheio de nervos, a pele é o nosso isolamento e também o nosso meio de comunicação com o mundo exterior. Sensível à pressão, calor e frio, ao toque ... os estímulos que a pele recebe são transmitidos para o sistema nervoso e produzem reações diferentes.

Nas melhores Unidades de Neonatatologia o contato pele a pele vem sendo usado como um tratamento. O método mãe canguro, no qual o bebê permanece todo o tempo possível em contato com a pele do peito de sua mãe melhora a termorregulação, regula a frequência cardíaca e respiratória e até ajuda os bebês menores a ganharem peso. O contato com o bebê favorece o aleitamento materno e ajuda a mãe a se adaptar à sua nova situação, melhorando a sua capacidade de maternar. Para bebês prematuros ter contacto com pele a pele com sua mãe pode fazer a diferença entre uma longa estadia na UTI, com todas as complicações posteriores, que são muitas, ou uma alta rápida e a sua casa. Nas cartilhas que indicam medicamentos, deve haver também indicação para o método canguru, e ao final do período de incubação, somente a utilização do método já basta.

Colocar o bebê sobre a mãe imediatamente após o nascimento reduz a síndrome da angústia adaptativa, diminuindo o risco de ingressos na UTI por problemas respiratórios. Assim, favorecendo ainda mais a amamentação imediata após o parto, aumentando a probabilidade de sucesso do aleitamento materno (menos rachaduras, menos problemas de peso, menos mastites, menos desmame precoce). A pele é o primeiro sistema de comunicação do bebê, que vem sendo usado durante nove meses.

Pele a pele, uma boa cama, é como se consegue melhores lactâncias. Com paciência e carícias, contato pele a pele e amamentação, se reduz a depressão pós-parto e ajuda a superar partos violentos ou traumáticas. Nenhum estudo precisa dizer que a pele cura!

Beijar, abraçar, tocar, fazer cócegas, massagens ... o contato pele a pele produz descargas de ocitocina e endorfinas no cérebro dos que se tocam, criando vínculos e diminuindo o estresse.
Para prematuros e a termo, grandes e pequenos, para crianças estressadas que não querem ir à escola, para mães esgotadas e pais desesperados, para avós cansados, para amigos tristes, para todo o mundo, a pele como medicina! 

Tradução livre por Nitiananda Fuganti

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Três meses e mais uma mastite

Quando a Beatriz estava com uma semana e um dia entrei em contato com minha primeira mastite. Foi daquelas bem típicas: primeiro um incômodo no peito, depois uma mudança abrupta de humor, o leite empedrado, a dor intensa, vermelhidão, calafrios, febre, e em 36 horas tudo termina como se nada tivesse acontecido. Fiz muita massagem, tomei banho quente para aliviar a dor, fiz compressa com folha de couve para retirar a quentura, esgotei um peito do qual não saia nada de tão duro, deixei mamilo e aréola de molho num copo com água morna para amolecer o peito e fazer o leite sair, e outras coisas que já nem lembro mais. Foi assustador. A sensação é que a dor e o mal estar nunca vão acabar. O medo de interromper a amamentação precocemente era desesperador. Eu sabia que dar de mamá era uma das coisas que mais ajudavam, e o fiz, muito, mas as lágrimas corriam porque a dor era muita. E como foi bem no comecinho, não tinha como descansar. A Beatriz acordava de hora em hora para mamar de madrugada, e nisso, infelizmente, o Raul não podia me ajudar. Pra piorar a situação eu estava em um momento pós –cirúrgico, e com todos os sintomas da mastite, ainda tinha que lidar com a dor abdominal e a sensação de “’vai estourar tudo”. Horrível. Mas passou. Sobrevivi.

A segunda mastite foi exatamente uma semana depois da primeira. Mesmos sintomas, mesmos procedimentos, só que no outro peito. Desta vez o agravante da cesárea já não perturbava mais. Foi difícil, porém bem mais fácil que a primeira.

A terceira e a quarta foram mais ligths. Num dia um bico doído, no dia seguinte o outro bico. Nessas eu já estava quase craque, e ambas passaram rapidinho. Nem dá pra considerar mastite, já que não teve leite empedrado. Foi algo estranho.

E a última (até o momento) foi neste domingo, quando senti novamente um incômodo no peito direito. Beatriz com três meses e meio e eu sinceramente achava que não teria mais isso. Bastou um dia com o apetite da Beatriz em baixa para eu sentir o leite empedrado, o vermelhidão, e a dor, muita dor. Mas desta vez eu já estou experiente. Meu humor não mudou e nem deixei os calafrios e a febre me pegarem. E dá-lhe massagem e muito mamá. O bom é que agora a Beatriz ta grandona e mama bastante, e com isso o alívio é sentido bem mais rápido. Sinto meu peito latejar. É ruim. Mas sei que vai passar. A dorzinha chata e o peito duro ainda estão aqui. Mas com a minha tranqüilidade (e experiência) sei que amanhã já não vou estar sentindo mais nada. Somente a felicidade e amor em amamentar. E viva minha linda Lua de Leite. Intensa, profunda, real, duradoura. Com suas provações, me faz acreditar ainda mais na maravilha que é nutrir e ser nutrida pela amamentação.