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terça-feira, 29 de maio de 2012

Compartilhando: Acolhendo (a mãe e) o bebê


Por Tatiana Favaro Lima

Fonte: Arquivo Pessoal
A leitura do capítulo "Recém-nascido" do livro Guia da grávida informada e consciente me fez lembrar das histórias contadas por minha avó de seus partos e puerpérios. Minha avó era uma pessoa que mantinha com muito fervor as tradições relacionadas ao nascimento e a morte. Lembro-me dela falando do zelo que se tinha com a mãe e com o bebê recém nascido. Lembro-me que chegávamos a rir do excesso de zelo, tradições bobas e sem sentido. Será? Desde que pari a primeira vez minha avó me parece muito mais sábia do que pensava...

Lembro-me dela falando que na primeira semana de pós-parto, mãe e filho eram preservados em repouso e isolamento. Sem visita nem dos familiares mais íntimos. Só entravam no quarto a parteira e/ou uma mulher mais velha da comunidade para cuidar da higiene e alimentação da mãe.

Hoje penso como seria bom termos direito a este isolamento. Seria mais fácil resolver os problemas de amamentação sem público, sem visitas, sem ter que se preocupar com afazeres domésticos, sem ter que conversar ou dar atenção a outras pessoas... somente a mãe e o bebê... imersos nas suas emoções e no seu processo de apaixonamento.
Nas semanas seguintes as pessoas da casa iam tendo acesso a mãe e ao bebê em horários bem restritos. A mulher permanecia de repouso por mais uns 30 dias, para garantir boa cicatrização/recuperação do parto e descanso suficiente para que pudesse cuidar do bebê com prazer e disposição. 
Como esses bebês deviam ser mais felizes, pois por pelo menos 40 dias esta mãe ficava dedicando-se exclusivamente a este filho. Para isso, a mãe era assistida por outra mulheres (familiares próximas e vizinhas). Essas mulheres não vinham visitar a puérpera, pelo que entendo das histórias contadas pela minha avó. As mulheres daquela comunidade automaticamente se organizavam e se revezavam para apoiar a puérpera. E isso me lembro de ter presenciado a até pouco tempo atrás... logo que chegava a notícia de um nascimento, minha avó já se punha a cozinhar uma canja ou sovar um pão para levar para aquela casa. Ela dizia que ia “visitar”, mas esta visita era muito diferente das nossas visitas de hoje. Ela ia de braços abertos para ajudar... lavava louça, varia casa, levava algum alimento, dava banho nos filhos mais velhos... Tão diferentes das visitas de hoje que levam presentes e esperam encontrar mesa posta, casa decorada, mãe disponível e sorrindo. Chegam querem pegar o bebê no colo, conversar em seu tom de voz normal, comem, sujam e vão embora, muitas vezes tarde da noite. Se a mãe põe limites nas visitas é logo taxada de fresca e logo começam os palpites de que “o bebê tem que se acostumar com barulhos”, sem contar os palpites sobre amamentação, sobre o parto, sobre os cuidados com o bebê. Tudo isso a meu ver interfere no processo de imersão que esta mãe necessita durante o puerpério. 
Mas muitas vezes a própria puérpera não se permiti assumir que precisa desta imersão, que o que ela quer naquele momento é ficar com o bebê e somente com ele. Afinal, seria mesmo frescura? Como enfrentar familiares e amigos? Como ir contra a corrente, neste período de tantas dúvidas e fragilidades. 
Acho que a mulher realmente tem que estar muito segura de si e preparada (informada) para enfrentar e impor suas necessidades e defender as necessidades de seu bebê. Além disso, a presença do pai consciente também é muito importante, pois ele sim, nos dias de hoje, tem o papel de proteger o puerpério, já que não contamos mais com aquela rede de apoio das antigas comunidades femininas. 
Vejo um paradoxo de isolamentos das famílias modernas, onde estamos expostos nos momentos em que deveríamos estar recolhidos, porém permanecemos isolados do verdadeiro contato comunitário. As pessoas sequer se sentem dignas de receber ajuda. Imagino como é visto com estranheza uma vizinha bater a porta de uma puérpera e lavar a louça e ir embora. Ou levar um cozido e não entrar para ver o bebê. Ao contrário, visitamos, levamos presentes caros e não ajudamos em nada. Nem nos permitimos pedir ajuda, quando necessário.
Sobre outro aspecto fiquei analisando como em outras vezes as famílias ficam ansiosas receber visitas e/ou sair de casa com os bebês. As mulheres hoje geralmente possuem rotinas exaustivas de trabalho, vida social intensa, e estranham a calmaria, o silêncio e o isolamento do puerpério. Muitas vezes são as mulheres que não conseguem suportar o silêncio do puerpério, pois neste silêncio, além do contato com o bebê surgem milhões de questões íntimas. E será que esta mãe está preparada para enfrentar este encontro tão profundo com seu filho e sua feminilidade mais profunda? Não seria mais fácil sair, andar, correr, trabalhar? A maioria dos relatos que encontro de puérperas é: “eu sempre trabalhei tanto, achei que ia ser moleza cuidar de um bebê...” Mas geralmente elas se surpreendem e muitas vezes não dão conta de manter este período de intimidade. E fogem... para os shoppings, para os parques, para as academias, para o trabalho... Muitas vezes com bebê no colo, ou no carrinho... expondo aquele ser sensível a um ritmo frenético, totalmente fora do seu ritmo. E muitas vezes eles realmente não reclamam, não naquela hora... não naquele dia... não da maneira que se espera. E com isso essas mulheres “pulam” o puerpério e perdem a oportunidade única de imersão e encontro, com seu bebê e consigo mesma.
Ainda sobre o texto gostei muito da forma como é exposta a visão do bebê sobre este período inicial da vida. Ressalto os pontos que achei mais interessantes:
“Ele é o vazio da ausência do corpo a corpo”
“Ele se vê mergulhado em uma avalanche de estímulos sensoriais”
“Nosso corpo é seu berço primário, seu principal porto seguro.”
“Um bebê precisa, primeiramente, receber o toque amoroso, o contato pele-a-pele.”
“Seu primeiros dias respirando pelos pulmões. Está limpo o ar que ele respira?”
“Tudo deve ser bem delicado, respeitando seus tempos, sua pequenês, suas necessidades.”
“Permitimo-lhe esse luxo: sono tranquilo, silencioso e no escuro”
“Como então oportunizar ao bebê seu rítmo? Prestando-lhe atenção.”
“Uma pessoa que é sujeito é encarada com atenção e consideração, com aquele interesse que temos por algo que nos fascina e desperta o nosso respeito.”
“As crianças, por estarem de alma nua e totalmente sincera, percebem na hora o fingimento, a rigidez, o distanciamento emocional. E sofrem.”
“...a única forma disso acontecer plenamente é conversando com ele”
“É preciso pressupor que nosso bebê seja inteligente, presente e receptivo.”
“Os erros devem ser apontados e trabalhados, mas não podem sabotar a auto-estima da criança.”
“Use todas as palavras que conhece,...”
“...crie sons para as emoções e as caretas.”
“Cante para seu bebê.”
“Embale-o em sua voz e envolva-o numa dança, para que ele descubra rítmos musicais e movimentos harmônicos.”
“Faça com ele o lhe agradar mais, pois sua felicidade será transmitida e ele fará experiência de emoções positivas que o incentivarão a crescer e se fortalecer. Sua alegria é a dele também.”
“Uma mãe bem disposta é a chave para um filho tranquilo.”
“Extendendo a gestação, dar o peito é um ato de amor e doação dos mais elevados.”
“É um tempo precioso que não deveria nunca ser perturbado, interrompido ou invadido. A mamada é um espaço e um tempo sagrados para serem escrupolosamente respeitados.”
“O banho é mais um momento lúdico do que de limpeza.”
“Nunca deixá-lo pegar friagem. É importante que pés e cabeças estejam sempre protegidos de ventos e frio”
“Deixem que tenha ar para respirar e que também possa abrir os olhos e enxergar um pedaço de mundo e não o protetor de berço!”
“Festejemos, então, sem aflição e em serenidade.”
“Com um recém-nascido deveríamos despir nossas roupas convencionais, esquecer as modas e a etiqueta, e colocarmo-nos de alma nua em relação com outra alma nua que acabou de descer sobre este planeta.”

Tatiana Favaro Lima é professora de ciência da computação e aluna do curso de formação de Doula Pós-Parto da Ong Amigas do Parto.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Óleo vegetal x óleo mineral


Quando falo em massagem, para bebês principalmente, e em higiene na troca de fraldas com óleo, é comum me perguntarem sobre as diferenças entre óleo vegetal e mineral. Certo. Vou dividir a resposta.
O óleo mineral é um derivado do petróleo (fonte não renovável de energia) e por este motivo sua composição não permite a absorção de ativos hídricos na pele, e, pelo contrário, repelem a água. Sendo assim, óleos minerais podem obstruir poros cutâneos além de apresentarem maior propensão a alergias. Pensando em proteção ao meio ambiente e em objetivo de hidratação, usar óleo mineral não faz sentido.
Em contrapartida o óleo vegetal é extraído de plantas, principalmente sementes e frutos, e aumenta a proteção da pele contra a perda excessiva de líquidos. Além disso, óleos vegetais reforçam a estrutura natural da pele auxiliando sua renovação e evitando o ressecamento. Por serem de origem natural, advindo de materiais vivos, são biodegradáveis e causam menos reações alérgicas.
Existe uma sintonia muito significativa entre a pele humana e os óleos vegetais. A pele necessita do calor que somente materiais vivos são capazes de oferecer. Durante a massagem e higiene, o toque dos óleos vegetais fornece um carinho e contato muito mais profundos que os óleos minerais.
Simples assim.

Exemplos de óleos vegetais:
Óleo de semente de uva
Óleo de amêndoas doces
Óleo de camomila
Óleo de coco
Óleo de gergelim


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Parir e Nascer

Cesárea
por Kalu Brum
Era uma barriga imensa cheia de vida e sonhos. O ventre se avolumava à medida que meus questionamentos iam ficando mais aguçados. Como o bebê sairia de lá de dentro? Era bom senti-lo dentro de mim, mas tinha medo de saber como seria quando chegasse. Será que seria como nas novelas que depois que a bolsa rompe, em segundos, a mulher estava descabelada de tanto gritar com um bebê gigante nos braços que já sabe mamar?
Achava que parir era natural, muito embora desconhecesse a razão pelas quais todas as minhas conhecidas e familiares terem tido cesáreas. Eu achava que bastava querer. Me orgulhava da minha avó que havia tido todos seus 7 filhos em casa, sem anestesia.Eu não queria tanto. Só desejava parir, só desejava que meu filho saísse pelo mesmo lugar que ele entrou.
Eu tinha um médico que me conhecia desde que eu era adolescente. Gosto do meu médico, que sempre me fez acreditar que eu escolheria sobre meu parto, apesar de não dar abertura para falarmos sobre ele. Os meses se passaram até que eu comecei a sentir desconfortos no corpo, na alma, contrações que as vezes estavam acompanhadas de dor.
Já não gostava mais de estar grávida. A ansiedade de ver meu filho nos braços era maior, agora, que meu desejo de esperar parir. Eu nunca disse isso, mas ainda bem que meu médico disse. Depois de um ultrassom com 39 semanas, constatou que meu líquido estava baixo (ou que tinha circular de cordão ou que o Doppler deu alterado). Fiquei convencida de que meu bebê estava correndo risco de morte.
Saí do consultório, em um misto de tristeza e alívio. Eu não teria que parir. Mas, em breve, meu filho estaria comigo. Aproveitei para depilar, fazer as unhas e escova. Queria estar linda quando meu filho me visse.
Aquela noite quase não dormi imaginando o sofrimento do meu bebê dentro do meu ventre. Estava com medo do que poderia me acontecer. Mas tinha certeza de que o médico faria o melhor por nós.
Acordei, fiz uma bela maquiagem, peguei a malinha com roupas, o enfeite da porta da maternidade. Chegando a recepção fui recebida com frieza. Passei pela avaliação de um médico que nunca me viu. Meu médico estava a caminho. Fez um exame de toque, falando com o assistente, como se eu não estivesse lá. Fui levada, de cadeira de rodas, vestida de uma feia camisola que me deixava com as nádegas de fora para sala de pré-parto. Iriam fazer a raspagem dos meus pelos, mas Gilmara, a depiladora, já tinha feito um excelente trabalho. Tiraram meu esmalte. As luzes artificiais não me deixavam descansar. Ouvia outras mulheres parindo. Parecia haver dor. Mas parecia ouvir vida ali. Aqui, estava sozinha, com frio e medo.
Alguém entrou para pegar minha veia. Me chamavam de mãezinha. Eu não tinha roupas e agora, não tinha nome. A enfermeira saiu, sem me olhar, tocar ou acolher. No silêncio ouvia meus medos. De cadeira de rodas fui para o centro cirúrgico. Encontrei com minha família e logo nos separamos enquanto estava recebendo a anestesia. Sentada, curvada, só desejava uma mão para segurar, para me fazer sentir viva. Mas só escutava frases desconexas da conversa do anestesista com o assistente. Eles falavam de futebol. Eu parecia ser um pedaço de carne qualquer.
Logo fui colocada deitada. Não sentia nada: nem frio, nem calor, nem meus dedos. Estava morta da cintura para baixo. Um pano cinza subiu a minha frente e lá de longe, sem poder em nada cinza , que estava em toda parte, meu companheiro. Eu só escutava o barulho do aparelho dos batimentos cardíacos. Ele pulsava, mas eu me sentia morta, invisível. Respirava ar artificial, meus braços esticados e abertos como numa cruz.
Todos olhavam o nascimento menos eu. Era uma boneca? Um pedaço de carne aberto? O bebê estava encaixado e sentia meu corpo balançar de um lado para o outro com violência. Já esquecia porque estava ali em meio a conversas tão vazias. Comentavam sobre o terremoto que abalou o mundo. E eu? E meu mundo?
Estava frio. Senti um calor no meu coração. Era um chorinho. Mas logo o levaram. Queria saber se estava tudo bem. Mas ninguém me dizia. Eu não podia me mexer. Rapidamente alguém me traz o bebê e sem que pudesse me virar ele já tinha ido. Nem sabia como ele era. Ele nem viu meus olhos borrados, nem minha maquiagem desfeita. A toca cobria a escova.
Meu companheiro saiu e estava sozinha novamente. Eles me costuravam como se fosse uma coisa qualquer. Distraia-me no som da aparelhagem. Tudo acabou e fiquei sozinha no centro cirúrgico. Tinha que conseguir mover as pernas para subir no quarto e ver meu bebê. Primeiro lutei para ver se conseguia qualquer movimento. Foi em vão. Desisti. Nem apagaram as luzes. Nem desligaram o ar. Estava com frio, com medo, sozinha. Será que isso é nascer como mãe? Será que isso é nascer? Em meus sonhos arquitetava um nascimento diferente em que estivesse em pés e com braços firmes para segurar meu filho nos braços e dar-lhe os seios assim que chegasse.
Ps: Esta história é mera ficção. Existem cesáreas necessárias, mais bonitas e cheias de significado. Mas, a grande parte das histórias, são bem parecidas com essas. Ela completa a visão do nascimento pelo bebê que passou por uma cesárea logo abaixo seguida pela visão de um bebê que passou por um parto respeitoso.

Como você quer nascer?
por Kalu Brum
Era um mundo silencioso. Já reconheço a voz doce da minha mãe, a grave voz do meu pai e algumas pessoas que sempre estão por perto. Aqui o mundo é constante. Não sinto frio, ou fome. Desconheço a sede, o ritmo, a gravidade.


Os ruídos são constantes: o pulsar das veias, as batidas do coração, o ruidoso estômago. Já sabem que posso detectar a luz ou ausência total dela.
Sinto medo, tenho pesadelos, tenho soluço. Gosto da sensação de quando minha mãe come chocolate.
Ouço barulhos estranhos. Ela está com medo. O que isso que sinto? Estou ficando sonolento. Sinto uma queda. Estou do lado de fora. Como cheguei aqui? Vejo luzes que me cegam. Onde está o coração? O calor? Aqui dentro está frio, muito frio. Desliguem este vento.
Estou afogando. Meu Deus?! Choro com força. Me salvem! Mãe, cadê você? Não sei falar sua língua. Estou com medo! Pelo menos um ambiente quente. Mas é duro. Por que ferem minha pele esfregando este pano?
Sinto um cano a me violar as narinas. O que fiz para merecer tanta dor? Este cano dentro  de mim. Cadê minha mãe? Chego bem perto mas me levampara longe. Quero minha mãe! Por favor!
Esta balança fria o que é?  Por que estão a me medir? Eu só quero um colo e peito. Choro sem parar. Estou exausto. Sei que me olham através do vidro. Pai! Vó! Me tirem daqui! Por que ninguém me ouve?
O que vão pingar nos meus olhos? Nitrato de prata? Mas eu nasci por cima. Como posso ter uma cegueira causada por gonorréia? Ela não tem gonorréia! Isso arde, arde muito. O que fiz para ser tratado assim? Choro com vigor. Estou em pânico.
Pelo menos um carinho na minha perna. Por que aperta? Ai que dor! Uma agulhada! Mais choro. É a vitamina K, medicação usada para prevenir um distúrbio de coagulação. Não te contaram que tem a versão oral? Não te falaram que é só não me banhar e deixar eu mamar? Eu não sei falar, mas de tudo sei. Tudo isso é dor. Será sempre assim?  
Estou exausto. Vou dormir. Quem sabe acordo do pesadelo?
 Espere, por que me acordam? Ah não! Por que tiram minha roupa? Estou com frio. O que é esse liquido? E essa espuma? Eu preciso da proteção da minha pele que retiram. Quem faz tudo isso? Cadê minha mãe? Será que ela  é quem faz isso tudo?
Estou pronto para conhecê-la. Quem é ela mesmo? A pediatra? A enfermeira? Ela também não me reconhece. Não me abraçou com as entranhas, nem ao menos me viu nascer através dos panos. Tenho cheiro de sabão e ela de medicamentos.
Estou sonolento, sofri demais, recebi anestesia nas veias, colírio nos olhos, injeção na perna. Ela me mostra os seios. É difícil para mim, é difícil para ela que geme de dor também. Ela foi vítima como eu, da ignorância do sistema. Mas através dos seus seios, ainda há esperança.
Não vou nascer novamente, vou curar minhas feridas no mundo. Mas se eu pudesse escolher optaria pela primeira parte deste conto. Se você acha que não é verdade tamanho sofrimento lembre-se que 40% das crianças da rede pública  nascem assim como eu. Passam o que passei. E no particular, quase 80%. Quero nascer diferente e só você que me gesta pode optar.
Não se deixe enganar. Não me deixe sofrer. Este vídeo, este e este tem cenas fortes de partos assim como o meu. O seu pode ser diferente. E eu, que ainda estou em você, posso chegar com doçura e gentileza. Pense nisso. Mude o meu plano de parto enquanto pode. E saiba o que realmente acontece para escolher uma realidade gentil. Nascer pode não mais rimar com sofrer. Pode ser sinônimo de  sorrir.



Era um mundo silencioso. Já reconheço a voz doce da minha mãe, a grave voz do meu pai e algumas pessoas que sempre estão por perto. Aqui o mundo é constante. Não sinto frio, ou fome. Desconheço a sede, o ritmo, a gravidade.
Os ruídos são constantes: o pulsar das veias, as batidas do coração, o ruidoso estômago. Já sabem que posso detectar a luz ou ausência total dela.

Sinto medo, tenho pesadelos, tenho soluço. Gosto da sensação de quando minha mãe come chocolate.
Aproximo-me da nona lua. Estou pronto para nascer. Não sei o que significa isso, mas minha natureza deu o início do trabalho de parto. Aqui estava ficando apertado.
 Talvez o braço da minha mãe seja igualmente confortável. Recebo um abraço leve, outro um pouco mais apertado.  Em meu corpo posso sentir os hormônios de êxtase. Entro no ritmo da vida em uma dança minha e dela. É gostoso sentir essa massagem no meu corpo, este braço apertado que me aperta com força em despedida me lançando ao mundo. Esse estreito lugar comprime meu peito, lança o líquido dos meus pulmões para fora.
Aqui fora tudo é estranho. Que frio! Mas este corpo quente me aquece. Ouço sua voz. É ela. Nos conhecemos finalmente. Ainda somos um.  Eu ligado a ela pelo cordão que me nutriu. O ritmo continua natural. O cordão pulsa e quando cessa me desligo sem desgrudar.
É estranho respirar, difícil. Cofff, atchim. O ar entra amigo. Estou seguro, estou sobre ela. Que cheiro bom ela tem. E seu coração ainda posso ouvir ao longe. Isso me dá paz.
Estou com fome. Que delícia este peito! Cheiro, lambo, mamo. Aqui fora é bom. Suave. Não sinto frio porque tenho seu corpo. Nem medo porque ouço sua voz. Foi uma longa jornada e por fim estou no mundo, ainda absolutamente dependente de ti.
Quero dormir porque confio no mundo externo e suave que você me proporcionou.

Fonte: 
http://www.mamiferas.com/blog/2011/03/cesarea.html

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Compartilhando: Recém-nascido separado da mãe sofre stress

Separação da mãe após o parto causa stress físico ao recém-nascido


Sem o contato físico com a mãe, o bebê tem 86% a mais de chances de não ter o sono tranquilo


Maternidade: o contato físico com a mãe após o nascimento evita um stress desnecessário ao recém-nascido.

Uma mulher entra em trabalho de parto e dá à luz. Em seguida, o recém-nascido é coberto e colocado para dormir em um berço próximo ou levado para longe, no berçário. Apesar de essa ser a rotina dentro dos hospitais ocidentais, além de ser um procedimento indicado pela Academia Americana de Pediatria, uma nova pesquisa publicada no periódico Biological Psychiatry fornece novas evidências de que separar o bebê da mãe pode ser um motivo de stress desnecessário para a criança.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Should Neonates Sleep Alone?

Onde foi divulgada: revista Biological Psychiatry

Quem fez: Barak E. Morgan, Alan R. Horn e Nils J. Bergman

Instituição: Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul

Dados de amostragem: 16 bebês com dois dias de vida

Resultado:


Apesar de recomendada pela Academia Americana de Pediatria, pelo Ministério da Saúde do Brasil, pela Sociedade Brasileira de Pediatria, pela OMS e UNICEF..., separar o recém-nascido da mãe pode trazer stress desnecessário ao bebê. A pesquisa mostrou que a separação tem impactos negativos nos bebês, como na duração do sono e na frequência cardíaca.
Os impactos psicológicos para o bebê causados pela separação eram, no entanto, desconhecidos. Os pesquisadores mediram, por uma hora, a variabilidade da frequência cardíaca em 16 bebês com dois dias de idade, durante o contato físico (pele a pele) com a mãe e no período em que eles estavam sozinhos no berço. A atividade neonatal autonômica (controla a vida vegetativa, como respiração e circulação sanguínea) era 176% maior e o sono tranquilo, 86% menor durante a separação. A pesquisa sugere que isso é algo que causa um importante stress fisiológico para o bebê.

Contradição

A pesquisa aborda ainda uma contradição: em pesquisas animais, a separação entre mãe e filho é uma maneira comum de criar stress para estudar os efeitos prejudiciais no desenvolvimento do cérebro do recém-nascido. Ao mesmo tempo, a separação dos bebês humanos é uma prática comum, particularmente quando há a necessidade de cuidados médicos especializados.

"O contato pele a pele com a mãe acaba com essa contradição, e nossos resultados são o primeiro passo na direção de entender exatamente por que os bebês se saem melhores quando têm esse contato físico com a mãe, frente aos cuidados na incubadora", diz Barak Morgan, coordenador do estudo.

De acordo com a equipe, são necessárias pesquisas posteriores para se entender melhor os efeitos da separação.
Entretanto, o contato físico traz benefícios já conhecidos ao bebê, além de evitar um stress físico desnecessário. Assim, conforme novas evidências surgem, os médicos se deparam com um novo desafio:
integrar o contato físico nos tratamentos de rotina, enquanto ainda conseguem fornecer com segurança os demais cuidados de praxe com o recém-nascido.

 
 
Autor: Marcus Renato de Carvalho
Data: 7/12/2011
Fonte: 
http://www.aleitamento.com/a_artigos.asp?id=1&id_artigo=2602&id_subcategoria

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Compartilhando: A pele como medicina

A pele é o maior órgão do ser humano e, provavelmente, um dos mais complexos. Cheio de nervos, a pele é o nosso isolamento e também o nosso meio de comunicação com o mundo exterior. Sensível à pressão, calor e frio, ao toque ... os estímulos que a pele recebe são transmitidos para o sistema nervoso e produzem reações diferentes.

Nas melhores Unidades de Neonatatologia o contato pele a pele vem sendo usado como um tratamento. O método mãe canguro, no qual o bebê permanece todo o tempo possível em contato com a pele do peito de sua mãe melhora a termorregulação, regula a frequência cardíaca e respiratória e até ajuda os bebês menores a ganharem peso. O contato com o bebê favorece o aleitamento materno e ajuda a mãe a se adaptar à sua nova situação, melhorando a sua capacidade de maternar. Para bebês prematuros ter contacto com pele a pele com sua mãe pode fazer a diferença entre uma longa estadia na UTI, com todas as complicações posteriores, que são muitas, ou uma alta rápida e a sua casa. Nas cartilhas que indicam medicamentos, deve haver também indicação para o método canguru, e ao final do período de incubação, somente a utilização do método já basta.

Colocar o bebê sobre a mãe imediatamente após o nascimento reduz a síndrome da angústia adaptativa, diminuindo o risco de ingressos na UTI por problemas respiratórios. Assim, favorecendo ainda mais a amamentação imediata após o parto, aumentando a probabilidade de sucesso do aleitamento materno (menos rachaduras, menos problemas de peso, menos mastites, menos desmame precoce). A pele é o primeiro sistema de comunicação do bebê, que vem sendo usado durante nove meses.

Pele a pele, uma boa cama, é como se consegue melhores lactâncias. Com paciência e carícias, contato pele a pele e amamentação, se reduz a depressão pós-parto e ajuda a superar partos violentos ou traumáticas. Nenhum estudo precisa dizer que a pele cura!

Beijar, abraçar, tocar, fazer cócegas, massagens ... o contato pele a pele produz descargas de ocitocina e endorfinas no cérebro dos que se tocam, criando vínculos e diminuindo o estresse.
Para prematuros e a termo, grandes e pequenos, para crianças estressadas que não querem ir à escola, para mães esgotadas e pais desesperados, para avós cansados, para amigos tristes, para todo o mundo, a pele como medicina! 

Tradução livre por Nitiananda Fuganti

sábado, 22 de outubro de 2011

A mãe, o peito, o leite, o bebê

Peito não é só leite.
Peito não é regra, não é horário. 
Peito é amor, é força, é proteção
Peito é cuidado, é aconchego, é dedicação.
Peito é colo, é confiança, é útero.
Peito é alívio, é conforto, é tranqüilidade.
Peito é lazer, diversão e descanso. 
Peito é calor, é pulsação, é leite.

Leite que alimenta, preenche, completa.
Leite nutre o corpo, a alma, o espírito.
Nutre a mãe, nutre o filho, nutre a vida. 
Peito tem cheiro de mãe, e mãe é tudo.

Mãe é conforto, é ninho, é vida, é ele próprio.
Mãe é colo, é apego, é contato.
Mãe é pele, é coração, é a verdade.
Mãe é energia, é vibração, é harmonia.
Mãe é real, é imortal, é natural.

A mãe, o peito, o leite, o bebê.
O laço que envolve a vida de dois e os transforma em um.
Mãe e filho na mais pura sintonia.
Vivendo intensamente na mesma freqüência.

sábado, 8 de outubro de 2011

Semana do Sling

Para todos que apoiam o uso do Sling!!! Venha slingar com a gente e participar dos eventos da Semana do Sling!!! Informação, troca de experiências, oficinas, diversão, dança e muito mais!!!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Exposição "Doce é sentir"

Uma belíssima exposição de fotos da fotógrafa Simone Maurina e textos da psicóloga Talia Gevaerd Souza sobre o afeto, o colo, o toque, o apego, a doçura do amor. Na Fnac Barigui de 01 de outubro à 24 de outubro (prorrogado).
Sobre o mesmo tema haverá um bate-papo comandado pela Talia Souza no dia 13 de outubro às 19h30 com a presença das mães Inês Baylão Morais Monson e Nitiananda Falvo Fuganti.
Vamos prestigiar!! Um evento que vale a pena!!
Um mundo melhor se faz com amor, carinho e afeto!!