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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Compartilhando: "Mitos do Parto Normal Após Cesárea"

Parto Normal Após Cesárea - PNAP (em inglês VBAC)




O Brasil tem sido o campeão mundial de cesáreas há alguns anos, mas nossas taxas de mortalidade continuam alarmantes. Os países com menores taxas de cesárea são os que apresentam menor taxa de mortalidade materna e neonatal. Com os hospitais e médicos da rede privada brasileira ostentando taxas de 80 a 90% de cesáreas, é natural que cada vez mais mulheres tenham passado por essa cirurgia e estejam se perguntando: 

Depois de uma cesárea, posso ter um parto normal?

A resposta é SIM. Como regra o parto normal sempre é mais seguro que a cesariana, uma cirurgia que têm suas complicações já conhecidas. (Veja artigo sobre riscos da cesárea). Existe risco de complicação de aproximadamente 0,6 % a cada vez que uma mulher é operada. De modo geral, a cesárea tem 4 vezes mais risco de morte materna e 10 vezes mais risco de morte neonatal. Essa taxa se repete no mundo todo, independente das condições tecnológicas em que são feitas as cesáreas.

No caso do parto normal após cesárea (PNAC), o principal risco é o de ruptura uterina. A taxa de ruptura uterina nos PNAC é de 0,5%. Caso ocorra uma ruptura, a mulher deve ser imediatamente operada para que o bebê seja retirado e a abertura seja fechada. No entanto deve-se lembrar que a ruptura uterina também ocorre em mulheres que nunca engravidaram ou foram operadas, bem como antes do início do trabalho de parto.

A questão primordial é: não existe parto sem risco, não existe nada na vida sem risco. Viver tem sua taxa de risco, mas deixar de viver não é uma opção. Quando uma mulher (ou um médico) opta pela cesárea para evitar a ruptura, ela não está eliminando o risco. Ela está trocando uma taxa por outra.

Quem então deve escolher se vai ter um parto normal ou cesárea?

Obviamente é a mulher, pois ela é quem deverá assumir as consequências de sua escolha. O médico será seu parceiro nessa escolha. É quem vai estar atento caso seja necessária uma intervenção, nos raros casos em que isso aconteça.

Porque então os médicos dizem que depois de cesárea é arriscado um parto normal?

Duas razões principais: a primeira é que obstetras são cirurgiões. Bons cirurgiões. Não são necessariamente bons parteiros e a maioria deles tem o olhar treinado para a anormalidade e não para a normalidade em suas mais variadas formas. A segunda é que a maioria dos médicos privados no Brasil prefere o parto cirúrgico de qualquer forma, tanto no primeiro parto, com nos seguintes, a qualquer idade ou situação de saúde. Isso é facilmente constatado pelas pesquisas recentes e pelas atuais taxas de cesárea. A questão médica normalmente acaba sendo: como justificar a escolha da cesárea? E se uma mulher já tem uma cesárea prévia, então já há uma justificativa pronta.

Então como faço se quiser ter um parto normal?

A mulher que quer ter um parto normal depois de cesárea na rede privada deve encontrar um médico que dê preferência ao parto normal sempre (não só no discurso como na prática, obviamente). (Entre em contato com o site Amigas do Parto para obter indicações). Na rede pública isso não é mais um problema, pois a maioria já adota a regra de tentar o parto normal antes de qualquer medida. O problema maior na rede pública é o abuso no uso do "soro", ou seja, o hormônio sintético ocitocina, como será discutido abaixo.

Toda mulher que teve cesárea pode ter um parto normal?

A imensa maioria pode, pois no Brasil a maioria das mulheres estão passando pela cesárea sem indicações claras e precisas. Geralmente a justificativa é "falta de dilatação", "passou da hora", "cordão enrolado no pescoço", todos esses argumentos bastante discutíveis. É apenas uma minoria que foi operada por ter problemas reais na bacia ou outra justificativa séria. Alguns fatores devem ser observados, no entanto. Se a operação foi feita com aquele corte baixo, na linha do biquini, então os riscos são de fato muito baixos. A operação feita de cima a baixo, o corte vertical, a princício traz um aumento do risco de ruptura. O outro ponto é o número de cesáreas prévias. Como em cada cirurgia o útero é cortado em um local diferente, quanto mais cirurgias, mais cicatrizes uterinas. No entanto a literatura cita com alguma frequência os partos normais depois de duas, três e até quatro cesáreas. No serviço público essas histórias são mais comuns, pois as mulheres já chegam no período expulsivo e não dá mais tempo de operar, mesmo que os médicos achem indicado.

Se eu quero um Parto Normal após Cesárea, o que devo evitar?

O mais importante é evitar o uso dos indutores e aceleradores de parto prostaglandina e misoprostol (citotec), que aumentam muito a força das contrações e portanto fazem aumentar o risco de ruptura. A ocitocina também deve ser evitada pois, embora seja menos prejudicial que os dois primeiros medicamentos, também aumenta a força das contrações uterinas.

É verdade que o Parto Normal após Cesárea só pode ser feito com fórceps?

Não, essa informação está totalmente equivocada. Muitos médicos dizem isso, e sabem que diante dessa ameaça a maioria das mulheres opta por uma cesárea eletiva. A verdade é que o uso do fórceps só deve ocorrer em caso de sofrimento fetal agudo. É um evento muito raro. Muito mais eficiente do que o uso do fórceps é permitir que a mulher fique semi-sentada, com o corpo o mais ereto possível, de preferência de cócoras, para ter força de expulsão. Infelizmente o fórceps tem sido muito mais utilizado por causa da ansiedade da equipe do que pela necessidade real.

Eu posso tomar anestesia em um Parto Normal após Cesárea?

A princípio pode, mas como em qualquer parto, deve ser usada em casos restritos, pois ela pode induzir o aparecimento de efeitos indesejáveis como a perda da força de expulsão, a desaceleração do trabalho de parto, a queda da pressão arterial e outros efeitos também sobre o bebê. No caso de se optar pela analgesia, ela deve ser a mais fraca possível (como em outros casos). Primeiro para afetar o menos possível o risco de desaceleração do parto e assim não haver necessidade de se usar ocitocina para correção do ritmo das contrações. Em segundo lugar, caso ocorra um raro evento de ruptura, a mulher poderá dizer que algo aconteceu.

Se eu sofrer uma ruptura uterina, como saberei?

Nas raríssimas vezes em que ocorre uma ruptura, a mulher percebe que algo está acontecendo. O primeiro sinal é que a dor aumenta muito e de repente. O segundo sinal é que entre as contrações a dor não diminui. O terceiro é uma dor nos ombros, perto do pescoço. Nesse caso a equipe deverá estar atenta e efetuar a cirurgia. Convém lembrar que esses são os sinais para qualquer ruptura uterina, em mães com primeira gestação, mulheres que não tiveram cesárea anterior, etc.

Como faço para entrar em contato com outras mulheres que tiveram PNAC?

No site Amigas do Parto tem uma seção de depoimentos só de PNAC. Cada depoimento tem o e-mail da autora para você entrar em contato, se quiser. (www.amigasdoparto.com.br/depoimen.html#vbac)


Ana Cris Duarte


Amigas do Parto
Fonte: http://www.amigasdoparto.com.br/pnac.html 

terça-feira, 29 de maio de 2012

Compartilhando: Acolhendo (a mãe e) o bebê


Por Tatiana Favaro Lima

Fonte: Arquivo Pessoal
A leitura do capítulo "Recém-nascido" do livro Guia da grávida informada e consciente me fez lembrar das histórias contadas por minha avó de seus partos e puerpérios. Minha avó era uma pessoa que mantinha com muito fervor as tradições relacionadas ao nascimento e a morte. Lembro-me dela falando do zelo que se tinha com a mãe e com o bebê recém nascido. Lembro-me que chegávamos a rir do excesso de zelo, tradições bobas e sem sentido. Será? Desde que pari a primeira vez minha avó me parece muito mais sábia do que pensava...

Lembro-me dela falando que na primeira semana de pós-parto, mãe e filho eram preservados em repouso e isolamento. Sem visita nem dos familiares mais íntimos. Só entravam no quarto a parteira e/ou uma mulher mais velha da comunidade para cuidar da higiene e alimentação da mãe.

Hoje penso como seria bom termos direito a este isolamento. Seria mais fácil resolver os problemas de amamentação sem público, sem visitas, sem ter que se preocupar com afazeres domésticos, sem ter que conversar ou dar atenção a outras pessoas... somente a mãe e o bebê... imersos nas suas emoções e no seu processo de apaixonamento.
Nas semanas seguintes as pessoas da casa iam tendo acesso a mãe e ao bebê em horários bem restritos. A mulher permanecia de repouso por mais uns 30 dias, para garantir boa cicatrização/recuperação do parto e descanso suficiente para que pudesse cuidar do bebê com prazer e disposição. 
Como esses bebês deviam ser mais felizes, pois por pelo menos 40 dias esta mãe ficava dedicando-se exclusivamente a este filho. Para isso, a mãe era assistida por outra mulheres (familiares próximas e vizinhas). Essas mulheres não vinham visitar a puérpera, pelo que entendo das histórias contadas pela minha avó. As mulheres daquela comunidade automaticamente se organizavam e se revezavam para apoiar a puérpera. E isso me lembro de ter presenciado a até pouco tempo atrás... logo que chegava a notícia de um nascimento, minha avó já se punha a cozinhar uma canja ou sovar um pão para levar para aquela casa. Ela dizia que ia “visitar”, mas esta visita era muito diferente das nossas visitas de hoje. Ela ia de braços abertos para ajudar... lavava louça, varia casa, levava algum alimento, dava banho nos filhos mais velhos... Tão diferentes das visitas de hoje que levam presentes e esperam encontrar mesa posta, casa decorada, mãe disponível e sorrindo. Chegam querem pegar o bebê no colo, conversar em seu tom de voz normal, comem, sujam e vão embora, muitas vezes tarde da noite. Se a mãe põe limites nas visitas é logo taxada de fresca e logo começam os palpites de que “o bebê tem que se acostumar com barulhos”, sem contar os palpites sobre amamentação, sobre o parto, sobre os cuidados com o bebê. Tudo isso a meu ver interfere no processo de imersão que esta mãe necessita durante o puerpério. 
Mas muitas vezes a própria puérpera não se permiti assumir que precisa desta imersão, que o que ela quer naquele momento é ficar com o bebê e somente com ele. Afinal, seria mesmo frescura? Como enfrentar familiares e amigos? Como ir contra a corrente, neste período de tantas dúvidas e fragilidades. 
Acho que a mulher realmente tem que estar muito segura de si e preparada (informada) para enfrentar e impor suas necessidades e defender as necessidades de seu bebê. Além disso, a presença do pai consciente também é muito importante, pois ele sim, nos dias de hoje, tem o papel de proteger o puerpério, já que não contamos mais com aquela rede de apoio das antigas comunidades femininas. 
Vejo um paradoxo de isolamentos das famílias modernas, onde estamos expostos nos momentos em que deveríamos estar recolhidos, porém permanecemos isolados do verdadeiro contato comunitário. As pessoas sequer se sentem dignas de receber ajuda. Imagino como é visto com estranheza uma vizinha bater a porta de uma puérpera e lavar a louça e ir embora. Ou levar um cozido e não entrar para ver o bebê. Ao contrário, visitamos, levamos presentes caros e não ajudamos em nada. Nem nos permitimos pedir ajuda, quando necessário.
Sobre outro aspecto fiquei analisando como em outras vezes as famílias ficam ansiosas receber visitas e/ou sair de casa com os bebês. As mulheres hoje geralmente possuem rotinas exaustivas de trabalho, vida social intensa, e estranham a calmaria, o silêncio e o isolamento do puerpério. Muitas vezes são as mulheres que não conseguem suportar o silêncio do puerpério, pois neste silêncio, além do contato com o bebê surgem milhões de questões íntimas. E será que esta mãe está preparada para enfrentar este encontro tão profundo com seu filho e sua feminilidade mais profunda? Não seria mais fácil sair, andar, correr, trabalhar? A maioria dos relatos que encontro de puérperas é: “eu sempre trabalhei tanto, achei que ia ser moleza cuidar de um bebê...” Mas geralmente elas se surpreendem e muitas vezes não dão conta de manter este período de intimidade. E fogem... para os shoppings, para os parques, para as academias, para o trabalho... Muitas vezes com bebê no colo, ou no carrinho... expondo aquele ser sensível a um ritmo frenético, totalmente fora do seu ritmo. E muitas vezes eles realmente não reclamam, não naquela hora... não naquele dia... não da maneira que se espera. E com isso essas mulheres “pulam” o puerpério e perdem a oportunidade única de imersão e encontro, com seu bebê e consigo mesma.
Ainda sobre o texto gostei muito da forma como é exposta a visão do bebê sobre este período inicial da vida. Ressalto os pontos que achei mais interessantes:
“Ele é o vazio da ausência do corpo a corpo”
“Ele se vê mergulhado em uma avalanche de estímulos sensoriais”
“Nosso corpo é seu berço primário, seu principal porto seguro.”
“Um bebê precisa, primeiramente, receber o toque amoroso, o contato pele-a-pele.”
“Seu primeiros dias respirando pelos pulmões. Está limpo o ar que ele respira?”
“Tudo deve ser bem delicado, respeitando seus tempos, sua pequenês, suas necessidades.”
“Permitimo-lhe esse luxo: sono tranquilo, silencioso e no escuro”
“Como então oportunizar ao bebê seu rítmo? Prestando-lhe atenção.”
“Uma pessoa que é sujeito é encarada com atenção e consideração, com aquele interesse que temos por algo que nos fascina e desperta o nosso respeito.”
“As crianças, por estarem de alma nua e totalmente sincera, percebem na hora o fingimento, a rigidez, o distanciamento emocional. E sofrem.”
“...a única forma disso acontecer plenamente é conversando com ele”
“É preciso pressupor que nosso bebê seja inteligente, presente e receptivo.”
“Os erros devem ser apontados e trabalhados, mas não podem sabotar a auto-estima da criança.”
“Use todas as palavras que conhece,...”
“...crie sons para as emoções e as caretas.”
“Cante para seu bebê.”
“Embale-o em sua voz e envolva-o numa dança, para que ele descubra rítmos musicais e movimentos harmônicos.”
“Faça com ele o lhe agradar mais, pois sua felicidade será transmitida e ele fará experiência de emoções positivas que o incentivarão a crescer e se fortalecer. Sua alegria é a dele também.”
“Uma mãe bem disposta é a chave para um filho tranquilo.”
“Extendendo a gestação, dar o peito é um ato de amor e doação dos mais elevados.”
“É um tempo precioso que não deveria nunca ser perturbado, interrompido ou invadido. A mamada é um espaço e um tempo sagrados para serem escrupolosamente respeitados.”
“O banho é mais um momento lúdico do que de limpeza.”
“Nunca deixá-lo pegar friagem. É importante que pés e cabeças estejam sempre protegidos de ventos e frio”
“Deixem que tenha ar para respirar e que também possa abrir os olhos e enxergar um pedaço de mundo e não o protetor de berço!”
“Festejemos, então, sem aflição e em serenidade.”
“Com um recém-nascido deveríamos despir nossas roupas convencionais, esquecer as modas e a etiqueta, e colocarmo-nos de alma nua em relação com outra alma nua que acabou de descer sobre este planeta.”

Tatiana Favaro Lima é professora de ciência da computação e aluna do curso de formação de Doula Pós-Parto da Ong Amigas do Parto.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Boas músicas!!

Ahh!! que dia bonito hoje!!
E em homenagem ao Sr. Sol e a minha pichuquinha que está dormindo, decidi fazer um post "de flash" com as musiquinhas que a Beatriz adora!! Tá, na verdade o post é com a imagem dos CDs.

O primeiro é "Vida de Bebê" da Isadora Canto - Projeto Acalanto


Esse Cd tem canções para todas as atividades do dia do bebê, como "Bom dia"... adoooro, "Amamentação", "Banho bom", e a que eu mais gosto, que é linda linda, "'Reconhecimento"... essa a gente escuta desde o comecinho da gestação!! [...] "é como se eu tivesse esperado toda a vida pra te embalar" [...] Perfeito!!

O segundo Cd é "Meu Neném" da Palavra Cantada


Adoro toooodas, mas a "Ti Cutucá" é especial... [...] "eu vou ticutucá neném, ticutucá, eu vou ticutucá neném, ticutucá" [...] Essa é bem coisa de mãe felícia que apavora o filho... "Pipó" também é linda, calminha calminha. "Pararacumbera" é bem divertida.

É isso aí... bebês também merecem música de qualidade!! Cultura sempre (desde a barriga) faz bem pra vida toda!!
Beijos people!!