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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Amamentação Prolongada

Pode-se dizer que estou vivendo minha primeira crise com a amamentação.
Uma porque a Beatriz vê a mim como um grande e suculento peito, o que já está me causando um expressivo desconforto.
Outra porque, com algumas leituras, novos conhecimentos, e novas reflexões, algumas atitudes minhas em relação ao ato de amamentar foram postar em xeque.
E uma terceira,  porque quando ela dorme à noite no peito, ela acorda mil vezes para retornar ao peito durante a madrugada. Quando o Raul a faz dormir, ela dorme quase a noite toda, acordando apenas uma ou duas vezes, e ele mesmo dá conta de fazê-la dormir novamente.
Isso tudo tem me feito pensar até queimar os meus neurônios restantes, e o mais difícil é que ainda não consegui chegar a nenhuma conclusão satisfatória. Fato é que qualquer decisão que eu tome terá seus prós e contras, mas a grande questão é qual das opções (se é que elas de fato existem) trará a mim, a Beatriz e ao Raul o maior benefício.
Que fique bem claro que desmamar não é uma dessas opções, ok?! 
Ah, lembrei que tem uma quarta questão importante e relativamente comum às mães e crianças que amamentam: comigo o peito prevalece e a comida é segundo plano; com o Raul a Beatriz come como "mini-draga" e inclusive coisas que comigo ela desfaz.
Eu e Bea na "Hora do Mamaço"


Bom, diante de tudo isso, com o agravante que acabamos de sair da Semana Mundial do Aleitamento Materno e que o curso maravilhoso que estou fazendo - Pedagogia Waldorf - é contra, por assim dizer, a amamentação prolongada (leia-se depois dos 9 meses - 1 ano), eu me sinto totalmente perdida. Mas como boa mãe consciente que sou, e a modéstia neste caso é bem menor que meu orgulho, estou pesquisando, lendo, refletindo, relendo, meditando, orando, e afins, para descobrir, dentro das verdades da minha família, o que é melhor para nós. Mas a tarefa é dificílima e a decisão, apesar de ser em conjunto, é sempre dada em definitivo por mim. E aí o bicho pega. Porque qualquer escolha implica consequências, boas e ruins, e arcar os consequências ruins é complicado porque faz parecer que a decisão foi errada, mesmo que as consequências boas sejam infinitamente positivas e visivelmente melhores e maiores que outras opções. Confuso? Nem me fale, imagine a minha cabeça (e meu coração!) em meio à tudo isso! Ter apoio no início da amamentação é fundamental para o seu sucesso, mas ter apoio para a amamentação prolongada é crucial para evitar um colapso familiar. Exagero? Vem sentir o climão que fica quando o assunto paira por aqui ou quando a situação está acontecendo. Aff...

Mas como tudo na maternagem, isso também logo se ajeita. Enquanto isso vou estudando para decidir qual o melhor caminho a seguir. E nessa procura toda, reencontrei um texto bem bacana sobre Amamentação Prolongada, vou compartilhar: (o texto fala sobre aspectos gerais da AP, enfatizando seus benefícios; ela não enfoca os percalços pelo caminho). E no mais, tá tudo em ordem; depois eu conto minha fatídica decisão (e suas inevitáveis consequências).

# [...] É predominante na nossa cultura, entender a amamentação somente como um meio para fornecer nutrição e protecção imunológica adequadas. Nas culturas onde é permitido à criança a amamentação por mais tempo, encontrou-se que o desmame natural ocorre entre os três e quatro anos de idade (Davies, 1993).
A OMS e a UNICEF expressam a importância da amamentação prolongada na "Declaração de Innocenti" de 1 de Agosto de 1990 nos seguintes termos:
"Para optimizar a saúde e a nutrição materno-infantil, todas as mulheres devem estar capazes de praticar o aleitamento materno exclusivo e todas as crianças devem ser alimentadas exclusivamente com leite materno, desde o nascimento até aos primeiros 4 a 6 meses de vida.
Até aos dois anos de idade, ou mais, mesmo depois de começarem a ser alimentadas adequadamente, as crianças devem continuar a amamentação."
Felizmente e/ou infelizmente, em Portugal, ao abrigo do nº2 do Artº 12 do Decreto Lei nº 142/99, publicado no Diário da República nº 203 de 31 de Agosto de 1999 é salvaguardado o direito da "trabalhadora lactante" durante todo o tempo que durar a amamentação.
Os benefícios da amamentação, em termos de saúde do bébé estendem-se durante todo o tempo no qual esta decorre.

Crianças amamentadas são beneficiadas nutricionalmente.
O leite materno é o alimento perfeito para bebés humanos. Contém todas as proteínas, gorduras, hidratos de carbono, minerais e vitaminas necessários ao crescimento humano nas proporções correctas para um bébé humano. Estas proporções ajustam-se ao longo do tempo para corresponder às necessidades do bébé (Davies,1993).
Pesquisas mostram que o leite materno durante o segundo ano de vida é muito similar ao leite do primeiro ano (Victora, 1984). No segundo ano de vida, 500 ml de leite materno proporciona à criança:

95% do total de vitamina C necessária;
45% do total de vitamina A necessária;
38% do total de proteínas necessárias;
31% de calorias necessárias.

Crianças amamentadas têm benefícios imunológicos.
Os factores de imunidade do leite materno aumentam em concentração, à medida que o bebé cresce e mama menos. Portanto, crianças maiores continuam a receber os benefícios da imunidade (Goldman et al, 1983).
O leite materno continua a evitar doenças e a facilitar a recuperação de outras durante o segundo e terceiro anos de vida. Isto porque o leite materno é estéril, isento de bactérias e contém factores anti-infecciosos que incluem:
- leucócitos (células brancas vivas) que matam bactérias;
- imunoglobulinas, que são proteínas muito especiais que transportam os anticorpos para proteger o bebé das doenças contra as quais a mãe desenvolveu uma imunidade;
- factor bífido que facilita o crescimento de uma bactéria especial (lactobacillus bifidus) no intestino da criança, impedindo que outras bactérias cresçam e causem diarreia;
- lactoferrina, uma proteína anti-infecciosa que se junta ao ferro, ajudando a eliminar bactérias patogénicas pois nega-lhes esse elemento de que necessitam para crescer (King y Thomson y Gordon, 1991).

Portanto, a amamentação prolongada continua a reduzir a morbi-mortalidade infantil ao diminuir a incidência de doenças infecciosas. O que significa menos idas ao pediatra, menos medicação, proporcionando benefícios económicos para a família e à nação.

Crianças amamentadas têm menos alergias
Está bem documentado que quanto mais tarde se introduzir leite de vaca, e outros alimentos alergénicos, menos probabilidades essas crianças terão de apresentar reacções alérgicas (Savilahti,1987).

Crianças amamentadas têm benefícios a longo prazo.
As pessoas alimentadas, na primeira infância (entre 1 a 6 anos de idade), ao peito, são mais tarde menos atreitas a doenças cardíacas e a desarranjos do aparelho digestivo.
Os bebés alimentados ao peito também têm menos probabilidade de vir a ter excesso de peso do que os que são alimentados a biberão e têm menos probabilidades de sofrer de uma forma de apodrecimento dos dentes que atinge as crianças muito jovens conhecido por cárie do biberão. Também o mecanismo de sucção é diferente do dos bebés alimentados a biberão, e é mais difícil. Isso pode contribuir para o desenvolvimento de maxilares saudáveis; certas anormalidades da boca e dos maxilares são mais raras nas crianças que foram amamentadas (Davies,1993).

Crianças amamentadas são mais espertas.
Horwood e Fergusson (1998) consideram que crianças que foram amamentadas têm melhor performance na escola e maiores notas. Os autores sustentam esta opinião num estudo que seguiu mais de 1000 crianças da Nova Zelândia com idades compreendidas entre os 8 e 18 anos de idade No estudo realizado, as crianças foram sujeitas a umas séries de avaliações das habilidades cognitivas e êxitos académicos que incluíam medição do coeficiente intelectual infantil, avaliações dos professores sobre rendimento escolar; provas de compreensão da leitura, matemáticas e habilidades escolares. Concluíram que havia umas tendências pequenas mas consistentes para a duração crescente da amamentação estar associada com um coeficiente intelectual aumentado, e um desempenho aumentado em testes estandardizados. As crianças obtinham avaliações mais elevadas do seu desempenho na sala de aula e melhores notas em exames finais.
Os autores, professores David M. Fergusson e L. Jonh Horwood da Escola de Medicina de Christchurch subscrevem a teoria de que as gorduras insaturadas encontradas no leite humano são importantes para o crescimento do cérebro e do sistema nervoso.

Crianças amamentadas são mais ajustadas socialmente.
Um estudo com bebés amamentados por mais de um ano mostrou uma ligação significante entre a duração do período da amamentação e o ajustamento social avaliado por mães e professores) em crianças de 6 a 8 anos de idade (Freguson et al, 1987). Nas palavras dos pesquisadores: "Existem tendências estatisticamente significantes para que a desordem na conduta diminua com o aumento da duração da amamentação".
Mamar durante a infância ajuda os bebés a fazer uma transição gradual no desenvolvimento da sua personalidade individual e maturidade.
Muitas das afirmações feitas por médicos e autores sobre a superioridade da amamentação baseiam-se na convicção de que a amamentação é melhor para o bebé/criança do ponto vista psicológico.
Amamentar é atender às necessidades de dependência da criança, de acordo com o tempo único da criança. Esta é a chave para ajudar a criança a alcançar a sua independência. As crianças que conquistam a sua independência em seu próprio ritmo, são mais seguras dessa independência que as crianças forçadas a isso prematuramente.
A amamentação de bebés mais velhos proporciona uma oportunidade de brincar e uma bebida de conforto, serenidade para bebés cansados, doentes, assustados, contrariados, ajudando-os a superar o stress diário da infância. Porque a amamentação se torna uma forma agradável de bem-estar emocional entre o bebé e a mãe. Muitos bebés gostam, compreensivelmente, de continuar a gozá-la por vezes durante o segundo, o terceiro ou até o quarto ano de vida (Davies,1993).

Mas será que todos os profissionais de saúde baseiam os seus conselhos sobre desmame em resultados de pesquisa científica?
Aparentemente não, porque não existe nenhuma indicação que amamentar para além do primeiro ano de vida tenha efeitos negativos. Aliás o que existe é a evidência ampla dos seus benefícios.

Então, qual é a base do frequentemente-ouvido "desmame ao um ano de vida"?
Há provavelmente diversos factores envolvidos. Um deles pode ser simplesmente expectativas culturais. Os técnicos de saúde estão sujeitos a pensar em conformidade com as tendências culturais. Isto é, presentemente parece que esperamos todos pelo desenvolvimento precoce e a independência adiantada nas crianças. Assim sendo, dar ênfase ao desmame precoce parece estar de acordo com a tendência actual.
Ironicamente, um desmame precoce, forçado pode realmente impedir as necessidades emocionais de dependência no desenvolvimento, retardando assim a independência da criança.
Uma outra influência em atitudes para o desmame precoce pode ser o ritmo apressado da nossa sociedade. Amamentar um bebé mais velho não é compatível com os estilos de vida moderna. Aliás já se ouve falar no alargamento dos horários das creches/infantários.
Um outro factor prende-se com mais um preconceito baseado no fascínio da nossa cultura com o peito como estímulo sexual. Uma criança que já saiba andar ou mesmo que já saiba falar pode ser considerada demasiada velha para encontrar o conforto físico no peito da sua mãe. No entanto, segundo Davies(1993), uma vantagem de amamentar uma criança que fala e compreende a linguagem é poder-lhe explicar porque é que não pode dar-lhe de mamar no jardim infantil, nem na casa da tia, nem no autocarro. Nesta fase, ele compreende a palavra "não" e pode ser distraído com outras coisas. Ela pode protestar ou ter uma birra, mas as outras crianças que não são amamentadas, também têm birras. É importante distinguir entre um desejo muito natural de conforto e contacto e o comportamento exigente não razoável exibido, ás vezes, por todas as crianças quando começam a andar.
Existe mais um factor que leva os técnicos de saúde a recomendar o desmame precoce. Este factor assenta unicamente em ideias erradas. Alguns médicos podem pensar que a amamentação prolongada vai interferir com o apetite da criança para outros alimentos. Contudo, não existem pesquisas indicando que a criança amamentada tem maior tendência a recusar outros alimentos que a criança que já desmamou. Na verdade, a maioria dos pesquisadores em países subdesenvolvidos, onde o apetite de uma criança desnutrida pode ser de importância vital, recomendam que a amamentação continue (Rhode,1988).

As mães que amamentam, por mais tempo, têm benefícios.
O leite materno é capaz de:
- contribuir para a saúde da mulher, reduzindo os riscos de certos tipos de doenças/cancros e ampliar os intervalos entre os partos;
- proporcionar benefícios económicos para a família e a nação;
- quando bem adoptado, proporcionar satisfação á maioria das mulheres (Declaração de Innocenti, 1990).

A vida com uma criança, nem sempre é fácil!
Como já vimos, a amamentação não é apenas um método de alimentação, também pode ser o travão de um choro, o que é uma benção para a maioria de nós, que ficamos profundamente perturbadas pelo barulho de uma criança a chorar, especialmente de noite.
A conveniência da amamentação torna-se mais óbvia, à medida que o tempo passa, o que é uma pena, pois muitas mães desistem durante as dificuldades dos primeiros dias e nunca chegam a experimentar o conforto e o prazer de dar a um bébé uma refeição completa ou um suplemento a uma refeição incompleta de uma criança, com um braço livre para acariciar um filho mais velho, um marido, ou para segurar um livro. Além disso, também incita a mãe a sentar-se ou deitar-se e descontrair/descansar ao mesmo tempo, no quente da sua cama.
Através da amamentação, a mãe recebe uma resposta da boca do seu filho, das mãos dele, do corpo e dos olhos dele. Isso dá-lhe informação sobre como ele se sente e sobre o que ele está a fazer. Quase todas as mães que amamentam até mais tarde, afirmam que esta intimidade com o bebé é o elemento mais satisfatório da amamentação. Quando a mãe está a ter este tipo de prazer, ele transmite-se, por sua vez, ao seu filho. Os sorrisos dela, as carícias e o relaxamento do seu corpo, tudo isso ajuda a tornar a experiência da amamentação mais agradável para o seu filho, também.
O contacto da pele entre mãe e filho, estimula a hormona prolactina que pode aumentar os sentimentos maternais. Estes sentimentos maternais e de protecção em relação ao filho defende a criança de possíveis maus tratos e abandono por parte da mãe. Em países onde se tem melhorado e aumentado a amamentação devido às mudanças nas práticas hospitalares para que não haja separação entre a mãe e o bebé, encontrou-se uma redução no abandono de bebés por parte das mães.
O aleitamento materno pode atrasar em muitos meses o retorno da menstruação e da ovulação em algumas mulheres, sendo portanto uma forma importante de retardar uma nova gravidez. Deste modo, evita a redução dos intervalos entre os partos que podem comprometer o estado de saúde e nutrição da mulher assim como a nutrição dos seus filhos (Davies,1993).

A amamentação reduz os riscos para certos tipos de cancros:
- cancro do ovário,
- cancro do útero;
- cancro do endométrio;
- cancro da mama (King, Thomson e Gordon,1991).

Blaauw (1994) acrescenta que a amamentação protege contra a osteoporose. A densidade óssea de uma mãe que amamenta, pode estar reduzida, em geral em 1 a 2%. No entanto, a mãe tem essa densidade de volta ou até mesmo ter um aumento, quando o bébé for desmamado. Não dependendo isso, de um suplemento adicional na alimentação da mãe.

A amamentação tem demonstrado diminuir a necessidade de insulina da mãe diabética (Le Roy).

O aleitamento materno proporciona benefícios económicos para a família e para a nação (Declaração de Innocenti,1990). Atrevendo-nos a adicionar os benefícios para o ambiente. Se pensarmos nas quantidades de latas de fórmulas de leite, nos biberões, nas tetinas, nas máquinas de esterilização necessárias para a alimentação artificial de um bébé, para além do tempo da sua preparação e da procura de uma loja/farmácia aberta para a aquisição de uma lata de leite, apercebemo-nos dos custos elevados que a família tem que suportar. Mas, não nos devemos esquecer que, todo este material acarreta desperdícios desnecessários para o ambiente e sua possível contaminação. Podemos, ainda, acrescentar a estes custos, as idas ao pediatra, e a medicação necessária para tratar as doenças a mais, que os bebés não amamentados têm, em relação aos bebés amamentados. No entanto, deve-se realçar que o custo da medicação, e possível internamento, também é aguentado pelo país, ou seja todos nós.
Em conclusão, amamentar crianças maiores é normal e traz benefícios para ambos. Actualmente, tenta-se compensar o desmame precoce no primeiro ano de vida através de vacinas, antibióticos e medidas higiénico-sanitárias. No entanto, as necessidades psico-emocionais, de afecto e contacto físico íntimo persistem, e são de difícil substituição.
O desmame definitivo deve ser natural, não abrupto e fruto de um consenso familiar (mãe, bebé e pai) e do pessoal técnico de saúde, ambos devem chegar a um acordo. É especialmente importante, a mãe referir aos profissionais de saúde que quer continuar a amamentar a sua criança, justificando que não é um incómodo, mas antes um prazer de que ambos gostam e sente que o seu filho ainda precisa, por uma questão de especial conforto, ficando terrivelmente angustiado se lho negar.
O ponto vista da mãe, é provavelmente a melhor maneira de influenciar positivamente os técnicos.
Nesta linha de pensamento, parece-nos ser fundamental que tanto médicos como enfermeiros deixem de ter uma atitude indiferente, passiva ou mesma inadequada em relação à informação relativa ao aleitamento materno e a alimentação infantil, pois tais atitudes apenas podem conduzir ao desmame precoce com as consequências negativas que daí possam advir.#


Ps: Outra coisa que quero deixar bem claro é que AMO amamentar! Independente de qualquer dificuldade, a amamentação é um dos momentos mais lindos, intensos e verdadeiros com a minha filha! Amamentar é muito mais que alimento ou conforto, amamentar é a prova que o AMOR é tão fluido que pode vir até em forma líquida!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Motricidade Livre

Motricidade Livre é perfeita. É natural. Respeita o tempo de cada criança. Sem expectativas. Sem estimulação. Sem cobranças. Sem imposições. Apenas a criança, sua curiosidade, seu desenvolvimento, seu ritmo.
Emmi Pikler, médica pediatra, através de sua experiência própria e de muita observação, concluiu que um bebê, desde o nascimento, não tem necessidade de nenhuma intervenção de um adulto para mover-se, seja para adquirir, manter ou abandonar diferentes posições do corpo. 
Quando a criança segue seu próprio ritmo e faz sua descobertas por mérito próprio, ela aprende melhor a movimentar-se.
Ao invés de estimular a criança a fazer algo que julgamos apropriado para sua idade, convém criarmos um ambiente adequado para seu desenvolvimento autônomo.
Colocar a criança numa posição que ela não assume sozinha, é forçar seu corpo a sustentar uma postura ou movimento que ela ainda não dá conta. Isso pode significar um prejuízo em seu desenvolvimento motor e também em sua capacidade de auto-confiança. Quando as crianças são deixadas viver em seu próprio tempo, com seu ritmo respeitado, sentem-se mais confiantes em suas descobertas, e são instigadas naturalmente a concentra-se em suas atividade. Por consequência, o poder de reflexão, organização e curiosidade, aumentam consideravelmente em relação às crianças que recebem a solução pronta para seu crescimento.

Para concluir, uma frase auto-explicativa de Emmi Pickler:
"Uma criança que obtém algo por meio de experimentos autônomos adquire um conhecimento completamente diferente de uma criança a quem se oferece previamente a solução."

Aqui você encontra outro texto sobre Motricidade Livre escrito por Luciana Lima do Espaço Aobà. E aqui tem outros dois textos que falam sobre a abordagem de desenvolvimento infantil de Emmi Pikler. 


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A verdade depende do ponto de vista

Fonte: Google Images
Pessoas gostam de palpitar na vida alheia, não é?! É muito mais fácil olhar a vida dos outros do que a própria vida, certo?!

Pois é, e quase todo mundo faz isso. Como se a experiência de um servisse para o outro.

Para quem pratica a cama compartilhada, amamenta em livre demanda, dá colo sem restrições, adia vacinas, e entre outras milhares de questões que norteiam a maternagem, os palpites são ainda mais comuns e, por vezes, muito agressivos.

Pra mim o que realmente importa é o que eu e minha família estamos sentindo em relação a nossa forma de ver e viver a criação de um filho. E quando digo família me refiro àqueles que estão envolvidos de fato nesta criação, ou seja, eu, meu marido e minha filha.

Nossas escolhas, todas, são feitas com absoluta consciência e reflexão. Isso quer dizer que desde a gestação eu e o Raul mergulhamos no universo da maternagem. O isso significa na prática?? Significa que pensamos o que de fato é melhor e faz sentido para todos nós, tanto em nosso individual, quanto em nosso coletivo familiar. Isso é o mais importante na criação de um filho, na minha opinião. É refletir sobre tudo e sobre todas as coisas. É ir a fundo na arte de maternar. É seguir os próprios instintos. E isso é muto particular. Independe das experiências dos outros. Cada um constrói o próprio caminho, e estes são o reflexo de cada escolha feita. 

Entendo que há uma boa intenção nos palpites, mas infelizmente não acredito que em algum momento eles sejam necessários. Para mim, um bom palpite é aquele que é solicitado. E mesmo esse deve ser feito com muita delicadeza, respeitando o jeitinho de cada um, de cada família.

A experiências pessoais estão relacionadas com princípios, ideais, valores. Como querer que o mesmo que serve para um sirva para todos?!?! É absolutamente impossível. Não existe verdade quando se cria uma criança. A verdade depende do ponto de vista. A jeitos e jeitos de criar um filho. Apenas peço que repeite o meu. 
   

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Compartilhando: Recém-nascido separado da mãe sofre stress

Separação da mãe após o parto causa stress físico ao recém-nascido


Sem o contato físico com a mãe, o bebê tem 86% a mais de chances de não ter o sono tranquilo


Maternidade: o contato físico com a mãe após o nascimento evita um stress desnecessário ao recém-nascido.

Uma mulher entra em trabalho de parto e dá à luz. Em seguida, o recém-nascido é coberto e colocado para dormir em um berço próximo ou levado para longe, no berçário. Apesar de essa ser a rotina dentro dos hospitais ocidentais, além de ser um procedimento indicado pela Academia Americana de Pediatria, uma nova pesquisa publicada no periódico Biological Psychiatry fornece novas evidências de que separar o bebê da mãe pode ser um motivo de stress desnecessário para a criança.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Should Neonates Sleep Alone?

Onde foi divulgada: revista Biological Psychiatry

Quem fez: Barak E. Morgan, Alan R. Horn e Nils J. Bergman

Instituição: Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul

Dados de amostragem: 16 bebês com dois dias de vida

Resultado:


Apesar de recomendada pela Academia Americana de Pediatria, pelo Ministério da Saúde do Brasil, pela Sociedade Brasileira de Pediatria, pela OMS e UNICEF..., separar o recém-nascido da mãe pode trazer stress desnecessário ao bebê. A pesquisa mostrou que a separação tem impactos negativos nos bebês, como na duração do sono e na frequência cardíaca.
Os impactos psicológicos para o bebê causados pela separação eram, no entanto, desconhecidos. Os pesquisadores mediram, por uma hora, a variabilidade da frequência cardíaca em 16 bebês com dois dias de idade, durante o contato físico (pele a pele) com a mãe e no período em que eles estavam sozinhos no berço. A atividade neonatal autonômica (controla a vida vegetativa, como respiração e circulação sanguínea) era 176% maior e o sono tranquilo, 86% menor durante a separação. A pesquisa sugere que isso é algo que causa um importante stress fisiológico para o bebê.

Contradição

A pesquisa aborda ainda uma contradição: em pesquisas animais, a separação entre mãe e filho é uma maneira comum de criar stress para estudar os efeitos prejudiciais no desenvolvimento do cérebro do recém-nascido. Ao mesmo tempo, a separação dos bebês humanos é uma prática comum, particularmente quando há a necessidade de cuidados médicos especializados.

"O contato pele a pele com a mãe acaba com essa contradição, e nossos resultados são o primeiro passo na direção de entender exatamente por que os bebês se saem melhores quando têm esse contato físico com a mãe, frente aos cuidados na incubadora", diz Barak Morgan, coordenador do estudo.

De acordo com a equipe, são necessárias pesquisas posteriores para se entender melhor os efeitos da separação.
Entretanto, o contato físico traz benefícios já conhecidos ao bebê, além de evitar um stress físico desnecessário. Assim, conforme novas evidências surgem, os médicos se deparam com um novo desafio:
integrar o contato físico nos tratamentos de rotina, enquanto ainda conseguem fornecer com segurança os demais cuidados de praxe com o recém-nascido.

 
 
Autor: Marcus Renato de Carvalho
Data: 7/12/2011
Fonte: 
http://www.aleitamento.com/a_artigos.asp?id=1&id_artigo=2602&id_subcategoria

sábado, 3 de dezembro de 2011

Compartilhando: Maternidade na Berlinda

por Claudia Rodrigues

De uns tempos para cá o exercício da maternidade, que esteve submetido aos desmandos da competição feminista desde o pós-guerra, começou a ser questionado. Jovens ou maduras, mulheres de todas as classes econômicas começam a questionar o distanciamento dos filhos diante do aperto de horas que o mercado de trabalho exige. Preocupadas com detalhes que vão da opção pelo parto, passando pelo tempo ideal de amamentação à educação dos primeiros anos, os mais importantes para a formação de personalidade, caráter e hábitos de alimentação da criança, elas vêm provocando a ira das mulheres que defendem o status quo. Irritadas, as defensoras do sistema vigente, gritam que não são menos mães porque são mães à moda do mercado.
O primeiro questionamento é em relação ao parto, esse detalhe. A nova geração exige direito de parir com dignidade, delicadeza e paciência por parte da assistência e dá de ombros para as representantes da velha guarda com sua antiga cantilena de que tanto faz se o bebê nasce de cesariana ou de parto normal. Elas querem mais do que respeitar o tempo do bebê e seu direito de nascer e salvar-se vigorosamente na luta pela sobrevivência; se possível buscam parir em águas mornas, sentindo o prolongado prazer de um ritual que resgata com requintes de inteligência e sensibilidade, o velho ato de parir. Rejeitam intervenções pediátricas desnecessárias no recém-nascido, exigem braços livres de sondas para abraçarem seus bebês nos primeiros minutos de vida.
Não querem mais abrir mão de amamentar nem quando optam por adotar. Sim, mães adotivas modernas amamentam e andam brigando por uma licença- maternidade cada vez maior, a exemplo dos países desenvolvidos. Não acham normal, nem natural, nem bonito e sabem que não é útil o uso intenso de objetos adaptadores. Chupetas, mamadeiras e carrinhos começam a ser trocados por peito em livre demanda, comidas naturais e slings, aquelas sacolinhas de carregar bebês, que além de práticas e bonitas têm função e é de aproximar o corpo da mãe do corpo do filhote.

Elas não querem se distanciar dos seus bebês, entendem a maternidade como prazer, não como fardo. Elas não vêem o trabalho de cuidar dos filhos pequenos como algo menor, mas sob uma nova nomenclatura: maternagem.

Enganam-se as mulheres da velha guarda quando chamam essas pioneiras de burras que querem voltar ao passado perdendo a competitividade no mercado de trabalho ou quando fazem piadas sobre ser o parto natural um ato pré-histórico. Essa nova geração estuda profundamente seu momento histórico dentro da sociedade e mais do que isso, pratica uma maternidade menos vaidosa, menos egoísta, menos egotista, mais voltada para o desenvolvimento dos bebês e de seus próprios corpos, seus hormônios, a fase da vida em que estão – ou em que se meteram por desejo de fecundação. Elas vêem com olhos bem abertos e mente oxigenada que a terceirização da maternidade em tempo integral desde tenra idade tem causado problemas já apontados pela neurociência. Elas não têm medo de saber mais, estudar mais, entender melhor de que tecidos são feitos os links entre corpo e psiqué. Preferem investir num novo modus operandi, recusando-se a repetir os velhos padrões de comportamento que se acirraram nos últimos 60 anos. A mídia e a média das mulheres continua apontando a culpa como regente-mor da mãe que acompanha o desenvolvimento do bebê e da criança pequena. É um discurso tolo, mofado. A culpa só aparece na ausência de responsabilidade e nessas mulheres que recebem a maternidade literalmente no peito, a responsabilidade dita as regras de um amor suado, de uma relação com bebês deleitada em quantidade e qualidade, com história, sob as bases de um convívio que sabe dizer sim e não, corpo a corpo, sem subornos afetivos via objetos e guloseimas.
É um amor libertador, marcado pelas necessidades de autonomia e independência da criança, que um dia cresce e sob bases sólidas vai embora, feliz e sem culpa, deixando para trás uma relação repleta de vitalidade, sem traços neuróticos do que deixou de ser vivido, sem bateção de porta na cara, sem insultos, sem cobranças de ambas as partes. Não há nada mais normopata e desconstrutivo na relação das mães com filhos do que grudar nos jovens para obter o que já passou, o que não foi vivido. Nada mais cruel do que chorar a distância do filho adulto, feliz em sua vida de adulto. Cada fase da maternidade pode ser transitada sem ansiedade, com a intensidade natural e gradual de separação e isso nem de longe quer dizer parar de trabalhar, elas sabem disso e buscam novas formas de comportamento profissional, adaptando a vida à maternidade e não a maternidade à vida de um adulto sem filhos. Finalmente, não há nada mais prazeroso na plenitude da maternidade do que sentir a sobra de energia da separação quando ela se faz, naturalmente, necessária, pronta, com pernas fortes, cabeças feitas para ambos os lados. Os filhos definitivamente não precisam de tantos estímulos, nem tantas providências e coisas; desde pequenos até adultos necessitam mais do que tudo respeito à fase em que vivem. E as mulheres, por sua vez, podem se libertar do papel cultural da maternidade, do filho-troféu que as remete a esse lugar de sentimentos persecutórios de menos mãe, afinal a ordem dos dias atuais não é ser mãe em tempo integral, mas mãe em tempo visceral.

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